quinta-feira, 2 de abril de 2009

O Caboverdiano Cordial

Ou, Eu não reconheço ninguém!

Ok, eu sempre tive esse problema... eu ignoro solenemente as pessoas conhecidas na rua, e as vezes mesmo a pessoa se aproximando, eu demoro séculos antes de reconhecer... e isso sempre me meteu em encrenca.

Acho que já tinha comentado o dia em que estava conversando com o Frazer e o Andrew no Cape Caffee, e um rapaz, relativamente bem vestido, se aproximou, cumprimentou todos, entrou na roda e nós só nos tocamos que ninguém conhecia o cara porque ele pediu um trocado...

Bom, ontem eu fui atacado assim de novo, e duas vezes!

Estava saindo da embaixada pra almoçar, quando um cara puxa papo...

Ele: Tudo bem? Lembra de mim?
Eu: Desculpe, realmente sou péssimo pra rostos...
Ele: Lá do aeroporto? Eu estava fardado...
Eu: (mentindo) Ah! Claro, como vai? (eu tinha estado no aeroporto HORAS na visita do ministro, e a gente viajou no fim de semana, logo, pode ser...)
Ele: Você está indo pra que lado?
Eu: (sacando que o maldito quer carona) Só aqui até a achada...
Ele: Ahhh, eu ia até o palmarejo... (por coincidência, aonde eu ia mesmo)
Eu: Bom, legal encontra-lo... até mais...
Ele: (meio contrariado) Tudo bem... até...

Tipo, sem chance eu começar a dar carona pra geral! E o pior é que, sendo "branco" (entre aspas porque eu sou, quase assim, um mulato!) em um país de negros, eu sou particularmente reconhecivel. E sem querer soar racista, mas provavelmente já sendo, o pessoal aqui, pra mim, é todo muito parecido... Ou seja, sou o alvo perfeito pra abordagem "cordial"!

Ontem mesmo, indo ao supermercado, aconteceu de novo...

Estava pegando o carrinho, um cara se aproxima, oferece a mão em cumprimento (e eu não sei NÃO apertar mão... me parece extremamente rude recusar) e puxa papo. Eu realmente NUNCA ví mais gordo, mas pode ser alguem que apareceu na embaixada, ou um taxista com quem eu andei... Só que o cara nem bem termina de dizer oi já oferece seus serviços de empacotador e carregador de sacos de supermercado...

PORRA, sou só eu que acho esse approach extremamente desonesto?

9 comentários:

Celso Távora disse...

Deve ser bem constrangedor mesmo... ah, adoro o blog, e espero que a gente se (re)encontre em Fortal ou algum lugar desse mundo.

Blenda disse...

Eu também tenho esse problema de reconhecer as pessoas...

Neda disse...

E quando você é reporter de TV e todo mundo fala contigo na rua? E acha que porque te vê todo dia na TV é seu melhor amigo e tem intimidade para pedir deus-sabe-la-o-que e fica com raiva.
E voce tem que ser educada com todas essas pessoas por que se não elas ligam pro patrão, ligam mesmo, reclamando.

Helga disse...

Mas poxa, Neda, a pessoa te recebe todo santo dia na casa dela, vc fala fala fala.. e na hora que ela quer falar de volta, e te contar a continuidade daquela matéria aí vc não quer ouvir mais?? assim não dá! :P

Ei, JM, vc tem um Q de político de já vê mãos e já sai apertando todas? Vê aparições de presidentes e fica checando se ele vai apertar esta ou aquela mão na tv? :P

E se alguém der hi 5 pra ti na rua, é capaz que vc corresponda? :D

Vc é o que?? Quase mulato?? hahahahahah Não tá na europa não, heheheh. :P Tá se enganando.

E eu que não lembro nomes mas lembro de rostos, aí fico um tempão depois pensando "da onde eu conheço aquela pessoa?".

FH disse...

Oi, lembra de mim?
Quanto tempo! Como vc vai? e a familia?



























rsrsrsrsrs

Amílcar Tavares disse...

Olá!

Gostei do post! E não acho que está a ser racista quando acho que todos são parecidos. Quando vim para Portugal, todos me pareciam iguais. Primos ou sei lá o quê!

Sobre esses approaches, parece-me que o cabo-verdiano consegue ser mais malandro que os brazucas! :)))

Helga disse...

Aaaaaaaaaaaahahahahhaah Toma, ingênuo! :P

Rodrigo disse...

Ué, é o tradicional jeitinho caboverdiano!

... disse...

E aí João, tá reclamando, vai para a Índia para ver o que é bom... :-D